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Mulheres Mundo Afora
   Localização : Turismo
   

Mulheres Mundo Afora


Por Mari Campos



Nunca se viu tanta mulher viajando sozinha como hoje em dia. Mesmo com todo o preconceito e assédio, as mulheres – especialmente brasileiras – estão aprendendo a desbravar o mundo com a cara e a coragem, sem precisar da muleta de uma companhia. Para a maioria delas, a verdade é que o destino importa menos do que a viagem em si. Viajar sozinha – seja por opção ou por falta de uma companhia decente – é também uma espécie de viagem interior, de autoconhecimento; afinal, nunca voltamos as mesmas que embarcamos, certo?
Dados da Associação Brasileira de Albergues da Juventude revelam que, só no Brasil, mais de 80% das mulheres que se hospedam num dos estabelecimentos da rede estão viajando sozinhas. No exterior, esse número é ainda mais expressivo, especialmente em destinos e roteiros de ecoturismo, em que o público é majoritariamente feminino e independente, numa faixa etária larguíssima que vai dos 25 aos 50 anos.

Em geral, a idéia de quem viaja só é poder conhecer um pouco mais de si mesmo enquanto conhece o mundo. Para isso, é fundamental ter em mente que, se por um lado, é possível mergulhar muito mais nos lugares desacompanhado, sem horários, e sem pretextos, por outro, não há com quem dividir os melhores e piores momentos da empreitada. Mas não são apenas diferenças culturais ou questões de segurança que martelam a cabeça de quem viaja sozinho, especialmente se o viajante for uma mulher. Informações prévias fazem toda a diferença, não importa para onde sua mala aponte; gostemos de estereótipos ou não, infelizmente somos mesmo alvos mais vulneráveis em questões de segurança.

Viajar sozinho torna tudo mais intenso, inclusive porque há, sim, momentos em que bate a solidão e a vulnerabilidade; é necessário estar disposto a conscientemente passar um tempo com você mesmo e não deixar que a solidão pese mais que o prazer da viagem em si. A gente sabe que existe mesmo muito mais mulheres no mundo que homens. Mas não é só isso que conta para essa legião de mulheres mundo afora: o prazer de viajar sozinha, fazer seus horários, cometer seus pecados e idiossincrasias, e voltar com a bagagem cheia de experiências novas virou mesmo algo que, com o perdão do chavão, não tem preço. Porque viajar sozinho é mesmo caro: não há com quem dividir o táxi nem a porção do restaurante, o preço do quarto single é quase o mesmo do quarto duplo, a cabine do cruzeiro custa o dobro para quem viaja sem companhia etc. Mas o saldo final é, na opinião de todas as entrevistas, realmente impagável.

Claro que uma mulher sozinha viajando pelo mundo exige cuidados redobrados. “Planejo cuidadosamente cada detalhe da minha viagem, para evitar o máximo possível de imprevistos e, assim, aproveitar cada segundo das minhas férias”, diz a jornalista Elisa Tranchessi. Ela viaja sozinha há cinco anos, desde que terminou um relacionamento longo e resolveu colocar as rodinhas de sua mala na estrada para esfriar a cabeça e dar a volta por cima. Hoje, não aceita a companhia de ninguém para quase nenhum roteiro. “Eu sinto que, quando viajo sozinho, absorvo muito mais as questões culturais do destino que visito do que quando estou acompanhada. Sem contar que é uma delícia você ter a sensação de que, literalmente, cumpriu sua missão todinha por si mesma”.

Não é só Elisa que dá atenção especial ao planejamento; esse item é referência primordial para quase todas as mulheres que resolvem viajar sozinhas. Afinal, uma mulher sozinha por horas e horas num saguão de aeroporto ou rodoviária à espera de uma conexão é ainda, infelizmente, um alvo fácil para pessoas mal-intencionadas.

Conselhos práticos e básicos para viajar sozinha mundo afora:


- planeje com cuidado, detalhadamente, seu itinerário e estude os hábitos e costumes do local que você visitará, para não dar nenhum fora

- evite longos tempos de espera pela conexão em aeroportos e estações

- procure cabines em trens que tenham mais gente por perto e evite os trens noturnos

- leve sempre um livro ou revista – ou até mesmo seu ipod – para os momentos de solidão. Eles serão também uma ferramenta fácil e útil quando você quiser afastar um chato

- quando sair à noite, tenha em mente duas orientações básicas: não tire os olhos nem as mãos do seu copo, para que não haja o menor perigo dele ser “batizado”; e nunca exagere na dose, já que não haverá ninguém confiável para te levar pro hotel

- medidas higiênicas básicas recomendam que você tenha sempre à mão papel higiênico, para evitar imprevistos. Leve sempre na bagagem também seu absorvente de costume, mesmo que você ache que não ficará mestruada durante a viagem. Pode ser que, quando precisar, você não encontre a marca a que está habituada e, provavelmente, pagará um preço muito mais caro pela que estiver disponível.

- mudanças de país, fuso e temperatura podem causar resfriados, alterações no ciclo menstrual e outros poréns. Monte com cuidado sua farmacinha pessoal, levando todos os remédios a que você esteja acostumada, incluindo medicamentos contra cólica, vitamina C, antialérgicos, aspirinas etc.

- não exagere no tamanho da mala: lembre-se que não haverá ninguém além de você para carregá-la e que não existe cavalheirismo em qualquer parte do planeta. Seja prática ao eleger roupas e peças para deixar sua bagagem o mais leve possível.

- durante a viagem, não dê bandeira andando sozinha altas horas da noite por lugares desertos ou parando para fuçar o mapa no meio da rua. Entre sempre numa loja ou café para fazer suas consultas à papelada e verifique os caminhos que terá que seguir antes de fazê-lo. Se ficar em dúvida, pergunte à mocinha da recepção do seu hotel/albergue se ela acha seguro fazer o trajeto que você está pensando em fazer.

- faça suas refeições mais elaboradas no almoço: é sempre mais barato que o jantar, principalmente nos restaurantes mais elaborados, e evita o desconforto de dividir o salão com mesinhas lotadas de casais, por exemplo.

- mantenha um blog: com alguns minutos por dia, você partilha tudo o que estiver vendo e vivendo com amigos e familiares e com uma infinidade de gente que você nem conhece.

- deixe alguém (amigo ou parente) sabendo onde você estará hospedada e o telefone e endereço desses lugares

Para quem quiser companhia de vez em quando:

Se você sentir falta de uma companhia para viajar vez ou outra, saiba que há empresas especializadas em pacotes (de um dia, um final de semana ou até uma semana todinha) para viajantes independentes ou solitários. Você embarca com segurança e, de quebra, conhece um monte de gente durante o passeio.




Com a palavra de quem sabe

Confira os depoimentos dessas desbravadoras que rodam o mundo tendo a si mesmas como companhia sobre as dores e as delícias de viajar sozinha:

Bárbara Conti, publicitária

“O melhor de viajar sozinha é poder fazer um roteiro especial para você e fazer o que quiser, na hora que quiser. Se der vontade de passar o dia todo em um museu, não vai ter ninguém reclamando que tá cansado, com fome ou com sono. E você também está mais aberto a conhecer gente e pode fazer amizades com pessoas interessante, com interesses semelhantes aos seus. O pior é não ter com quem sair à noite ou fazer refeições (mais isso se resolve se vc fizer amizades). Mas dependendo de onde estiver, andar à noite sozinha necessariamente não é tão seguro”

Regina Leoncini, professora

“O melhor é que rende muito mais pois você frequenta somente os lugares de seu interesse. Mas o pior é a falta de companhia. É importante já saber o roteiro da viagem e selecionar os lugares pelos quais pretende passar. Desse modo você faz seu tempo render e não fica desprevinido em relação ao dinheiro.”

Janeth Oliveira, agente de viagens


“O melhor de viajar sozinha é poder levantar e deitar a hora que quiser, ter o banheiro só pra você e também explorar todos os "cantinhos" do lugar visitado sem se preocupar se o (a)acompanhante fará a mesma programação. O pior é na chegada, pois se for um destino desconhecido, há um pouco de medo e quando estamos com outra pessoa há um "apoio emocional". A hospedagem "single" sempre é mais cara e também acho bem desconfortável sentar sozinha em uma mesa nas horas das refeições. Sempre procuro me informar o máximo possível sobre o destino e saber por onde posso andar e me sentir segura mesmo estando só. Também levo cópias de documentos (passaporte, RG) e as guardo em lugares diferentes na bagagem, no destino em geral não levo bolsa grande (menor possível), e dentro levo apenas o documento de identidade e algum dinheiro, valor maior (se houver), guardo em algum "bolso" estratégico na roupa. Quanto a bagagem levo o mínimo possível (afinal terei que carregá-la sozinha).”

Priscyla Freire, engenheira

“Com certeza o pior de viajar sozinha é a saudade. Mas por outro lado, viajando sozinha você tem liberdade para fazer as coisas ao seu horario, a oportunidade e a "necessidade" de conhecer pessoas interessantes, ter mais tempo para pensar na sua vida e no seu futuro. E, é logico, poder dancar como louca na balada HIP HOP sem se importar com que os outros irão pensar sobre você! Antes de viajar, fiz uma listinha com todas as coisas a fazer e a trazer...E isso incluiu exames de rotina.Na bagagem, remédios para dor de cabeca e cólica e produtos femininos, como itens para o cabelo, para depilação e descoloração de pelos, para fazer unhas e outras futilidades...”

Cristina, agente de viagens

“Nada como fazer o roteiro que quiser, comer onde quiser, um sanduiche, uma tapioca ,uma sopa e principalmente a comida típica da região,se lambuzar num doce ou farofar no quarto do hotel, passar no supermercado, pegar um pãozinho e pedeço e exalar aquele cheiro pelo corredor do hotel, tudo isso sem ter que consultar o paladar da companhia. Mas isso inclui pagar mais caro o hotel, não ter como trocar idéia e sair à noite para programas noturnos, o que significa pagar mico sozinha. Antes de viajar, estudo com antecedência em guias, internet , levo mapas, verifico clima do local e cutura. E faço sempre seguro viagem para qualquer destino! Tiro também cópias de documentos , deixo informações a alguém que fique na origem para facilitar em caso de emêrgencia, divido o dinheiro em diferentes locais e carrego bolsa com vários compartimentos e bolsos laterais. Também levo sempre um dicionário básico em caso de ser uma língua diferente.”

Para levar na bagagem:

“Viaje Sozinha”, o divertidíssimo livro das jornalistas Maristela do Valle e Flávia Soares Julius. Editora Original Ltda, 304 páginas, 2007.



Mari Campos é colunista colaboradora com o site AgitoCampinas e colunista do site

Atenção: Esta matéria não expressa necessáriamente a opnião do site, sendo a procedência e exatidão das informações aqui descritas de inteira responsabilidade do autor.
 
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