Falar outro idioma é pré-requisito no mercado
Segundo consultores de RH, língua estrangeira deixou de ser somente diferencial
Em um mundo cada vez mais globalizado e com um mercado de trabalho em que a competitividade aumenta a cada dia, saber falar um outro idioma deixou de ser apenas um diferencial e já se tornou um pré-requisito. E, além do tradicional inglês, que praticamente já se institucionalizou como o “idioma universal”, boa parte das empresas já está buscando profissionais que saibam falar pelo menos duas línguas, com o espanhol ganhando cada vez mais espaço.
Especialistas em recursos humanos entrevistados pelo EPTV.com explicam que o conhecimento do inglês, antes exigido somente para cargos de gerência, já está sendo requisitado até mesmo para áreas técnicas dentro das empresas. E, justamente por isso, os estudantes e recém-formados devem estar com o conhecimento do idioma bretão “na ponta da língua” antes de começarem a procurar vagas no mercado de trabalho.
Segundo Catarine dos Santos, coordenadora de recrutamento e seleção de uma empresa de recursos humanos, cursos e seminários de Ribeirão Preto, saber falar o inglês é tão importante que a pessoa que não tem esse idioma em seu currículo sequer é chamada para fazer entrevista. “Não é mais um diferencial, mas sim um pré-requisito”, disse.
Mas Catarine explica que muitos candidatos só vão fazer o curso de inglês quando a necessidade chega, o que não é correto, pois uma língua não se aprende uma hora para outra. “Algumas ainda ficam esperando que a empresa pague um curso de língua e se esquecem que o mercado quer pessoas que saibam gerenciar a sua própria carreira”, afirmou.
Para “peneirar” candidatos, Catarine dos Santos disse que chega a conduzir algumas entrevistas de seleção totalmente em inglês, para saber quem realmente domina a língua. “Até provas para trainees já são feitas em inglês, online”, explicou.
A coordenadora de recrutamento também diz que o espanhol vem ganhando espaço dentro do mercado, principalmente devido aos mercados de países hispano-americanos. Mas ela alerta. “Como nós brasileiros falamos uma língua latina, achamos que conseguimos entender o espanhol. Por isso, muitas pessoas colocam no currículo o ´espanhol básico`, sem saber que estão se auto-enganando.”
Outro interesse que começa a surgir entre os profissionais é pelo conhecimento do mandarim, devido à crescente influência da China nos negócios internacionais. “Mas ainda acho que isso é uma ilusão, porque são pouquíssimas as empresas que vão contratar profissionais por saber falar essa língua. Isso pode ser uma realidade muito mais para frente”, conclui.
A “caça-talentos” Mônica Loss, que trabalha para uma empresa de recursos humanos de Ribeirão Preto, também garante que o conhecimento da língua inglesa já se tornou “imprescindível”. “As grandes empresas, com a abertura do mercado, sempre fazem parcerias com outras empresas estrangeiras e, por isso, exigem o inglês dos profissionais”, disse.
Segundo ela, nos cargos de gerência, 90% dos profissionais têm inglês fluente. “Há a necessidade da língua para leitura e, principalmente, para as conversas, como forma de estabelecer contato entre as empresas”, afirmou.
Mônica também explica que a língua inglesa vem se tornando um diferencial também na parte de atendimento a turistas de negócios. “Quando selecionamos atendentes para a Agrishow [maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, realizada em Ribeirão Preto no mês de maio], pelo menos uma pessoa em cada estande deve saber falar inglês fluentemente.”
A consultora também atesta que o espanhol já se tornou uma língua muito importante no mercado. “A cada dez vagas, pelo menos 40% delas já pedem duas línguas, segundo ela. “Quase todas as grandes escolas já oferecem cursos de espanhol, que passou a ser ensinado até nas escolas de ensinos fundamental e médio”, disse.
Por isso, a recomendação é que as pessoas dediquem uma parte de seu orçamento para investir em um bom curso de línguas. As grandes escolas de línguas oferecem inglês e espanhol, com mensalidades a partir de R$ 90,00 (já com desconto), chegando a R$ 150,00, dependendo do nível. Os cursos são semestrais.
Escolas também oferecem cursos intensivos, alguns deles específicos para negócios, com mensalidades a partir de R$ 200,00.
EPTV.com - Alessandro Bragheto