Entrevista com Talamasca

Nos últimos meses o francês Cedric está totalmente focado nos estúdios preparando um live extremamente inovador e inédito. Com um estilo marcante ele é especialista no full on melódico e suas recentes produções estarão no próximo álbum que será lançado ainda este ano.
Confira entrevista:
1. Todos sabem que você é um top DJ francês que produz grandes hits de psytrance e agora também é um empresário. Você criou o site www.trancepool.net, que é um site de venda e compra de músicas digitais no estilo trance. Você acha que os outros sites não dão a devida atenção para o trance ou os artistas estão migrando para outros estilos?
Eu não acho que sou um empresário, pois os empresários atuam para fazer dinheiro e eu sou o oposto. Eu via minhas tracks em vários sites sendo vendidas a preços altíssimos e por pessoas que não estavam com a permissão para esta venda e foi por isso que tive a idéia de lançar o trancepool. Originalmente não queria um site de mp3 trance, no começo queria achar um meio próprio de vender minhas músicas e dos artistas de meu selo, pelo próprio site www.mindcontrolrecords.com, e percebi que, entre as comissões de todo,s daria mais dinheiro para os cartões de crédito do que para mim mesmo. Então precisava de um jeito para resolver isso e fui pesquisando e descobri também que não existia um site especializado em vender trance music.
Navegando encontrei o site francês que tinha a maior comissão que já vi, o www.digitaldeejay.com, que coincidentemente é de um grande amigo meu Javier de Galloy. Nasceu então o www.trancepool.net e estou muito confiante em me tornar o número 1 em site mp3 especializado no trance. Através do trancepool os artistas podem vender suas trancks diretamente de seus myspaces ou websites e qualquer pessoa pode se afiliar e vender as tracks recebendo comissão pelas vendas.
2. Você acredita que um dia o trance será respeitado pelas grandes megastores? No Brasil, por exemplo, a cena psytrance é enorme, mas não vemos os CDs nas prateleiras.
A música eletrônica, como todas as outras, será respeitada quando vender tão bem quanto os outros estilos. O problema é que as pessoas que escutam o psy não são as mesmas que escutam jazz, por exemplo. Os jovens que gostam de e-music pensam: por que comprar um CD se posso ter a música de graça pela net sem sair de casa?
Muitos artistas estão reclamando dos mp3 free downloads, mas ao mesmo tempo eles baixam programas para produzir seus hits, é uma hipocrisia. Meu último álbum tem uma versão grátis em meu site, é só digitar seu email e pronto, só no Brasil tenho mais 20.000 downloads até agora, o que é uma prova de que as pessoas já adotaram este perfil de downloads digitais.
Também tem outro ponto contrastante, como um CD do Talamasca terá o mesmo preço da Madonna? Eu vendo milhares, ela vende milhões. Não é lógico, entende? Nós temos que ser mais baratos, mas não há como, pois temos o preço da produção dos CDs mais comissões de distribuidores. Portanto não tem porque alguém comprar um CD por 20 dólares, pois gosta de uma ou duas tracks, de um artista que tem suas músicas na net e esta pessoa talvez possa baixar lá de graça ou ela pode comprar bem mais barato direto do artista pelo trancepool… hehehe
3. Você pretende trocar seu estilo se o trance estiver algum dia prejudicando sua carreira e seu ganha pão?
Ahhhh… esta é uma pergunta muito difícil, realmente… você sabe, tenho uma família, uma casa, como todos, tenho contas a pagar, se alguém me oferecer muito dinheiro para fazer outro tipo de música acho que aceitaria, mas isto não me afetaria no sentido de pensar: Oh vendi minha alma!. Acho que qualquer tipo de música é válido.
Sou um pouco prisioneiro do estilo Talamasca, as pessoas me pagam para eu tocar o full on morning e é este som que produzo por enquanto. Quando faço um hit é nisto que penso e não quero mudar meu estilo pois amo o que faço. Mas acho que artisticamente seria interessante tentar outras coisas como experiência, mas eu penso que meu trabalho é fazer o público curtir, dançar, sorrir, seja isto trance, ou “full on”, ou dancefloor, não importa, eu faço o que tenho em mente e se um dia não funcionar mais, mudarei, porque meu objetivo como produtor é este e secundariamente o dinheiro, mas preciso dele também heheh...
4. E seu novo álbum?
Demorou muito para eu produzi-lo, pois estou colaborando com outros dois projetos paralelos, o XSI e French Faction. O álbum se chamará “MY 4 SEASONS”, serão 4 tracks de 20 minutos cada. Estou trabalhando no hit SPRING que claro, será uma música bem animada, a cara da estação. A SUMMER será cheia de percussões, WINTER mais minimal e AUTUMN mais melancólica.
Estou trabalhando muito, pois 20 minutos de track não é fácil… também ocupo meu tempo com hipnotismo e mentalização que é meu hobby, por isso meu selo chama-se Mind Control e tenho um outro objetivo, o de tornar meu live mais interativo com imagens experimentais nos telões de LED, em breve.
5. Nesta turnê brasileira você estará com um live inédito, o que podemos esperar de Talamasca?
Bom, um live tem apenas 90 minutos. Irei escolher cuidadosamente o que vou tocar. Sempre decido no último momento o que de fato tocarei, por isso não posso contar ao público por enquanto. Mas existe a grande chance desta turnê combinar hits passados (party generation, spiritual renewal, imaginary friend,…) com os novos hits, uma ou duas do novo álbum de XSI, uma ou duas do meu CD (my 4 seasons) e estou pensando em remixar uma track TIME SIMULATION, quando toco esta música todos pedem para tocar novamente, mas é muito antiga, quero fazer uma nova versão. O Brasil é meu país favorito, farei meu melhor nos palcos!
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