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Entrevista Exclusiva com Gui Boratto
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Entrevista Exclusiva com Gui Boratto


Entrevista Gui Boratto

GUI BORATTO foi escalado para um momento muito especial, o artista brasileiro de maior destaque no circuito eletrônico europeu foi escalado para fechar a pista da Tribe 7 anos. Gui lançou recentemente o álbum “Chromophobia” e o hit “Beautiful Life”, que estourou em todas as pistas do país e do mundo. Um live de conceito e jamais bookado para um evento do segmento, Gui promete fazer uma apresentação especial em nosso dancefloor.



1-) De que maneira e quando você começou a se interessar por música eletrônica?
Acho que depois de muito tempo tocando guitarra em uma banda, com a formação clássica de guitarra, baixo e bateria, o antigo baixista da banda comprou um seqüenciador MC-500 e dois synths. Na mesma época, meu irmão havia voltado da Europa e com uma TR-505 (bateria eletrônica), acabou substituindo o atual batera. Eu simplesmente “pirei” e comprei um sampler. Um Ensoniq EPS....enfim...a formação da banda toda mudou e começamos a fazer “techno-pop”. Comecei a me interessar por programação e entrei de cabeça. Como já estudava piano erudito há alguns anos, a transição da guitarra para o teclado foi muito fácil.

2-) No início de seu envolvimento com a e-music, quais foram suas influências e hoje quais seriam?

Acho que as minhas influências foram as mesmas de muitos produtores da minha idade, como Depeche, New Order, Echo & The Bunnymen, Cure, Kraftwerk, etc. Hoje meu gosto varia muito. Pra falar a verdade, não sou de escutar muito techno não. Gosto muito de rock, as bandas de Seattle, como Stone Temple Pilots e Soundgarden. Adoro Smashing Pumpkins ou ainda bandas novas como The Klaxons.
Falando em techno, acho que tenho uma enorme admiração pelo meu amigo Robert Babicz, aka Rob Acid. O cara é simplesmente um gênio.

3-) De onde você tira inspiração para produzir suas músicas?
Não sei direito. A coisa vem naturalmente. Às vezes vem da insistência também. Na verdade, como não sou DJ mas músico, acabo pensando mais em melodias do que em batidas. Isso reflete em muito no resultado final.

4-) Quando você parou e pensou “estou sendo reconhecido pelo meu trabalho”? Quando você percebeu que toda essa coisa cresceu a ponto de se tornar conhecido mundialmente?
Acho que depois do meu primeiro single “Arquipélago”, pude ver todos os DJs internacionais tocarem minha música. Fiquei muito feliz e isso foi reconhecimento pra mim. É claro que depois de outros vários singles lançados e principalmente depois do lançamento do meu álbum “Chromophobia”, a coisa cresceu ainda mais.

5-) Muitos artistas renomados que estão ao redor do planeta já tocaram e ainda tocam suas faixas como Phonique, DJ Hell, Michael Mayer, Hernan Cattaneo entre outros. Como é ser reconhecido por esses grandes artistas?
Com exceção do Hell, que não conheço direito, os outros hoje são meus amigos. O Michael é um dos donos da Kompakt (label o qual faço parte). O Phonique é meu parceiro de uma música que fizemos juntos para o álbum novo dele. Vamos tocar de novo juntos ainda este ano num navio. E o Hernan é meu conterrâneo de Mercosul, que já colocou música minha em sua compilação. Além disso vivo tocando junto com ele. Tocamos juntos na Rússia e antes de ontem no Creamfield no Perú.
Claro, que eles tocam minhas músicas porque gostam e isso me deixa feliz. Me deixa orgulhoso até. E digo mais. No passar desses 2 últimos anos, vejo as pessoas, lá fora, olharem com outros olhos para o techno feito aqui no Brasil. Acho que já rola uma associação à música boa. Não só por minha causa, mas olhando um pouco lá pra trás, com o Patife, ou o Marky.
Isso faz com que a gente pare de viver de passado, de bossa-nova ou samba apenas.

6-) Como é sua relação com o público? Como é o seu contato nas rua ou nas gigs em que participa?

Sou extremamente tímido. Fora que, como faço live, não tenho muito descanso e tempo pra olhar pra galera e dar tchauzinho...hehehe....são muitos botões pra me preocupar enquanto estou tocando. Mas acho que eu sou assim e as pessoas não reclamam não. O que importa é ser verdadeiro com o público e com a música.

7-) Seu álbum recém lançado “Chromophobia” éstá sendo muito aclamado por toda a crítica especializada e hoje você é um dos artistas brasileiros mais aclamados no exterior. Conte-nos sobre esse álbum.
Esse álbum, fiz entre setembro e novembro do ano passado. Um tempo curto, se pensar que outros artistas levam 1 ano pra finalizarem os seus. Mas acho que justamente a falta de tempo que me ajudou a obter um resultado enxuto, limpo, e sem muita frescura.
Claro que o fator melódico conta. Afinal, meu álbum está longe de ser um álbum pra pista exclusivamente. Nele, você encontra faixas bem lentas e com algumas atmosferas que pode escutá-lo de manhã, na sua casa por exemplo. Não é aquela coisa que martela e pretende “bombar” a pista o tempo todo. Esse foi o fator diferencial na minha opinião.

8-) E as novas produções? O que podemos esperar em relação às novidades?
Acabei de lançar um single com meu amigo Marc Romboy, pelo seu selo Systematic, entitulado “Eurásia”. Estamos muito felizes. Está no Deutsch Charts em excelente posição, além de Beatport e outras formas de venda de música, seja ela digital ou em vinyl.
Também saiu um novo Speicher (Kompakt Extra), chamado “Matryoshka”. Tenho tocado sempre nos meus lives. E também acabei de lançar um EP chamado “Rivington Suíte”, por um selo pequeno de Barcelona, com remix do Martinez. Além de alguns remixes também. Acabei de entregar um remix para o duo Goldfrapp. É o primeiro remix do álbum novo deles e deve sair no início do ano.

9-) Fale sobre sua relação com a TRIBE e o que você está preparando para sua grande apresentação? Não se esqueça que você encerrará esse super evento.
Em primeiro lugar, fiquei muitíssimo feliz de tocar num evento bacana como a Tribe. Fiquei mais feliz ainda de saber que fecho o evento e que outros amigos também tocarão nele, como o Stephan Bodzin e o Chris (D-NOX).
Bom, quanto ao evento, o que posso dizer é que todos falam muito bem. Conheço o Du Serena através do meu irmão por alguns anos e já vi ele tocar diversas vezes. Posso afirmar que ele é um DJ excepcional. Um moleque de muito talento. Gostaria um dia de poder vê-lo tocando techno e outras vertentes mais próximas do meu som.
Para o domingo da Tribe, estou preparando algumas coisas ainda não lançadas, alguns remixes e coisas do meu álbum Chromophobia também, claro.
A expectativa é muito grande, não só pra mim, mas muitas pessoas tem me perguntado sobre isso...o que vou tocar...como me sinto, etc.
Bom, acho que só na hora mesmo pra saber. Vamos esperar pra ver.


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