Gol: a empresa do ano
A Empresa do Ano
Por Fernando M. Queiroz
Galera do Agito,
Em época de premiações falaremos da GOL Linhas Aéreas, que foi a melhor empresa do ano segundo a Revista Exame da editora Abril, e é claro que é do ramo de turismo.
A Revista Exame elege anualmente a empresa numero um entre as maiores e melhores, e a GOL é a primeira companhia surgida do zero que recebe, em pouco mais de três anos, o título de melhor entre as melhores, desde que a premiação foi lançada, em 1977. Crescimento de vendas, rentabilidade, liquidez - em todos os parâmetros nos quais se apóia a EXAME para eleger as melhores em 20 setores, a GOL se destacou. Sua rentabilidade alcançou 47%, cinco vezes superior à média do setor de serviços de transporte, no qual se insere. É também a segunda companhia aérea mais rentável do mundo. Só perde nesse quesito para a irlandesa Ryanair. Suas vendas cresceram 67% e atingiram 529 milhões de dólares no ano passado.
E assim, com uma operação enxuta, preços super competitivos e ótimos resultados, a GOL subiu no topo das melhores empresas do Brasil. A companhia só utiliza duas versões de avião em sua frota, o que barateia a manutenção e facilita o treinamento dos tripulantes. É a que mais passageiros transporta por vôo e a que menos dinheiro gasta com isso. Pode e oferece tarifas mais baratas do que qualquer outra empresa. Seus aviões fazem a parada mais curta nas escalas e a cada dia são os que permanecem mais tempo no ar - um atestado de produtividade. A GOL só perde em participação de mercado. Não por acaso esse é o quesito mais influenciado pela idade da empresa.
A GOL voa há pouco mais de três anos. Ainda assim, vem crescendo rápido. No ano passado transportou cerca de 7 milhões de passageiros, 51% mais que em 2002.
A empresa calcula que só com seu espartano serviço de bordo obtém uma economia de custos de quase 1 milhão de dólares anuais por aparelho. O cardápio frio também possibilita abastecer as aeronaves uma vez ao dia. A limpeza pode ser feita por dois funcionários, em vez de seis. Um dos orgulhos da GOL é dividir com a JetBlue o recorde de menor tempo em solo, ao redor de 25 minutos.
O agressivo marketing da GOL fica mais visível quando vai além das tabelas de preços. Nelas, as diferenças de tarifas vêm se estreitando, em parte devido ao chamado "efeito GOL". Um levantamento mostra que já no primeiro ano de operação, alguns de seus principais concorrentes, como a Varig e a TAM, diminuíram suas tarifas de 19 destinos de 22% a 30%. Outro fator foi a conquista do público corporativo, menos dependente de preços baixos. Em 2002, apenas 39 entre 100 passageiros viajavam a negócios. São agora 63.
Assim como fazem os hotéis, as companhias aéreas cobram diferentes tarifas num mesmo vôo. Com o perfil de cada avião na tela do computador, é possível ajustar oferta e demanda alterando os preços para determinado número de assentos. É nesse ponto que a agilidade se torna decisiva. "Você tem de movimentar rápido suas tropas para que a concorrência não perceba", diz Mauricio Emboaba Moreira, diretor de planejamento da GOL. Segundo ele, pelo critério de preço médio -- os assentos com promoção -- as diferenças saltam de 15% para até 30%.
Essas tarifas promocionais são comercializadas somente pela internet, numa operação que custa à GOL 10 reais, o equivalente a um terço da feita pelo call center ou por sistemas de reservas conhecidos como GDS. A idéia dos vôos noturnos com passagens que por vezes custam menos que as de ônibus surgiu para neutralizar uma ameaça: o aumento relativo dos preços abriu o flanco para empresas de charter. Nesse movimento, atraiu o público da classe BC, que já representa 13% dos vôos corujões. Segundo afirma Jim Corridore, analista de investimentos de companhias aéreas da agência Standard & Poors, o bom desempenho da GOL, que por enquanto reina sozinha no segmento de baixas tarifas e baixos custos, deverá gerar, num futuro próximo, novos competidores: "Uma das coisas mais interessantes das empresas low fare é que elas ajudam o mercado a crescer, incorporando passageiros que antes costumavam usar apenas o transporte terrestre".
Um risco que pode constituir-se em ameaça ao crescimento é o fato de estar num setor sujeito a interferências do Estado. As mudanças em curso na estrutura da regulamentação da aviação civil, que ainda não permitem avaliar os resultados, são mencionadas na própria proposta aos investidores. "Desde que o governo Lula assumiu, o setor teve uma interferência brutal do Estado", afirma o analista Mauricio Levi, sócio da Fama Investimentos. "É um triste retrocesso". Um exemplo recente foi a suspensão, pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), de uma campanha da GOL que oferecia bilhetes a 50 reais. "O DAC tem sido linha-dura desde a mudança do governo, mas no sentido de evitar a superoferta, não a concorrência", afirma, diplomático, Constantino Júnior. "Tenho dito aos investidores que um ambiente com oferta monitorada é mais racional que o de liberdade total”.
Fonte: Revista Exame
Fernando Mercier de Queiroz
Bacharel em Turismo, formado pela Universidade Paulista – UNIP.
fecps@bol.com.br
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